Governador não garante pagamento de servidores por conta da baixa arrecadação

O governador Mauro Mendes (DEM) durante entrevista na TV Centro América no programa MT-1, na manhã da última terça-feira (24), revelou quem em reunião com presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) falou das ações de combate a pandemia do coronavírus, cobrou do presidente o repasse de R$ 500 milhões referentes ao Auxílio Financeiro para Fomento das
Exportações (FEX) de 2018 e adiantamento de mais R$ 500 milhões do FEX 2019, e disse que não é certeza que os servidores públicos recebam o salário em abril.
Mendes disse inicialmente que o pacote anunciado pelo governo federal na tarde de segunda-feira (23) beneficia as regiões do Norte e Nordeste, e não as regiões do Sul, Centro-Oeste e Sudeste.
“Mostramos ao presidente que o pacote de medidas que ele fez foi bom para os estados do Norte e Nordeste, pois garantiu a esses estados o Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), vai garantir independente da arrecadação federal o mesmo que os demais estados. Em Mato Grosso esses números representam 11%, enquanto Nordeste representa 80%, para nós é muito pouco”, disse Mauro.
A fala do governador é referente a uma das medidas do governo federal que disse que fará a recomposição do FPE e do FPM, diante do que se estima de perda de arrecadação em função dos impactos econômicos da doença: R$ 16 bilhões.
Outro detalhe que chamou a atenção na entrevista, foi que Mendes não garantiu o pagamento dos servidores no mês de abril, já que há uma previsão de o estado arrecadar até 30% menos, por conta do isolamento social provocado no combate ao coronavírus.
“A crise vai atingir muita gente, e nós servidores públicos, digo nós pois, hoje também sou um servidor público, não podemos ser uma ilha, está todo mundo em crise, e só nós que não? Há uma previsão que a arrecadação caia em torno de 20% a 30% no próximo mês. Há uma probabilidade de cair muito a receita e sem dinheiro como que se paga? Não podemos dizer nem sim e nem não agora, mas como pagarei salário se não entrar receita? Meu desejo é pagar o salário, mas para isso precisamos de dinheiro em caixa”, detalhou o governador.
Mendes falou que a baixa arrecadação é por conta de vários municípios do estado estarem com decretos que fecham comércios, empresas, e com isso o poder de consumo diminuiu muito no estado.
O governador também revelou que na tarde desta terça-feira, irá realizar uma reunião com o prefeito de Cuiabá Emanuel Pinheiro (MDB) e Lucimar Campos (DEM), prefeita de Várzea Grande. Mendes explicou que a reunião não foi marcada em data anterior, pois ele precisava de um posicionamento do governo federal.
“Hoje vou receber no palácio o prefeito de Cuiabá e a prefeita de Várzea Grande. Vamos intensificar esse diálogo, mas já comecei a ligar para alguns prefeitos e vamos construir uma estratégia para que o poder público possa tratar o coronavírus e sair dessa crise econômica que vai se instalar no estado”.
Mauro também disse que durante a reunião com o governo federal, o ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta, orientou aos municípios que não há casos confirmados de coronavírus que não fechem às portas e criem restrições.
“O ministro foi claro, cidades que não há casos, estão tomando medidas precipitadas, pois se não daqui a pouco vai ter mais gente morrendo de fome, do que de coronavírus. As pessoas precisam trabalhar, precisam do seu salário, e fechando as portas das empresas, daqui a pouco o estado vira um caos, sem arrecadação e aí estado e município sem arrecadar, vai ser servidores sem salários, pessoas em desesperos e empresas quebrando”, pontuou.
No estado até a manhã desta terça-feira, há 39 municípios com casos suspeitos de coronavírus
e 102 cidades sem caso algum. Confirmados, apenas em Cuiabá e Várzea Grande, onde a capital tem 5 pacientes com o COVID-19 e Várzea Grande um caso.