“Novo bairro do São Pedro: Segregação de uma feira livre” Diz leitor do Site Paredão do Povo

Não faz muito tempo que a feira “livre” do bairro do São Pedro vem sendo alvo de críticas, algumas até com fundamento, outras, só pura insatisfação que nada resolve, só atrapalha a vida de muitos. E Lendo este blog, já me deparei – agora desta vez – pela segunda vez com críticas voltadas aos feirantes do Bairro do São Pedro, mais especificadamente no dia de Sábado, que é o dia de maior movimentação na rua que leva o mesmo nome do bairro, contudo, não por culpa do blog os do que lá moram, nunca se ouviu dizer que os feirantes fossem ouvidos a respeito, e esse é o defeito que dá ensejo à segregação que hoje está se levantando neste bairro.
A insatisfação de uns gera uma segregação que está moldando belo jardim com a cara de uma cidade fantasma, uma cidade que só atende aos interesses da classe alta quem tem carro e uma Tv Smart 4K para assistir em casa alguma série da Netflix. E essa segregação é tamanha que já foi o motivo de retirarem a feira da Segunda, que ficava no entorno da Igreja Matriz da Conceição, e movê-la para o atual pátio, próximo ao Bairro do Tambor. Lembro ainda que a tradicional festa da Redenção, uma festa de valor cultural tão grande para Belo Jardim foi movida de lá pelo mesmo motivo (a insatisfação foi tamanha que se fez inclusive um plebiscito) e pelos mesmos moradores, incomodados com o barulho da festa. Hoje, a redenção é só lembrança.
Agora o Bairro do São Pedro, que antes era um bairro de pessoas simples – os mais afortunados moravam próximo ao Centro Social, escola Êxito, e nas áreas mais afastadas, quase que isolados de todos – está sofrendo do mesmo problema que o centro e o calçadão: tornou-se agora “um bairro legal”, tendo que lidar com a quantidade absurda de carro particular estacionado na rua (as casas não têm garagem) e a quantidade de lojas e mais lojas. Porém, o comércio não é o problema, mas sim, a insatisfação de uma parcela social, de uma classe que quer ser alta, e por isso, sofrem os mesmos pesares de quem vive no calçadão e no centro: a insatisfação com a feira.
De fato, há muitos problemas a serem resolvidos, o lixo é um deles, (os carroceiros com facas supostamente ameaçando ou impondo temor deve ser caso de polícia primeiramente) mas boa parte dos problemas são resultado de diversos (des)governos que, por não saberem resolve-los, simplesmente querem amontoar todo mundo no pátio e lá eles (os feirantes) que se virem. Mas assim é e sempre foi, a corda quebrará no lado mais fraco, naqueles que nada sabem de leis e direitos, só conhecem um dever: pagar toda semana a taxa por utilizar a rua (e não a calçada), bem público de uso comum do povo, que não é usada somente pelos feirantes, mas também, pelos novos moradores de classe alta que amontoam os carros por ali.
Sou filho da feira, trabalhei lá desde cedo, acordando às 4h da manhã todos os dias, mas belo jardim não é mais o mesmo, o meu bairro não é mais o mesmo, muito menos as pessoas que ali viviam, não são mais as mesmas, agora, é quase tão esquisito e confuso como o centro de Belo Jardim; tornou-se um “bairro legal”.
Por isso, cabe uma observação: o Bairro do Santo Antônio, que tem uma grande feira na rua, até agora não foi motivo de crítica de seus moradores, mas logo chegará a sua vez, e se tornará um “bairro legal”, e aí os feirantes, em quase que êxodo, vão ter que migrar para outro lugar que só Deus sabe onde, aumentando cada vez mais a segregação daqueles que preferem ir de carro ao mercado àqueles que preferem andar a pé na feira. E como Belo Jardim, infelizmente, não tem nenhum controle urbano, o que resta é só o controle da vontade da classe alta sobre aqueles que nem tem classe.
A feira é a resistência social, é o pouco de cultura que sobrou da terra do Bituri, e é preciso resistir, sempre!